O medo é phoda. Tudo bem que o medo é parte do nosso mecanismo de defesa. Mas em face a tudo que temos vivido, esse mecanismo está meio desregulado. Funciona mesmo quando não precisa. Só é preciso que pense em usá-lo.
Por causa disso, eu tenho medido minhas ações. Daqui uns tempos, devo ficar neurótica, igual minha mãe. Na cabeça dela, se você colocar o pé pra fora de casa depois das 23h, você é assaltado, morto, estuprado, seus órgãos são arrancados e oferecidos numa seita satânica. Tirando a parte dos órgãos e da seita, como eu posso tirar sua razão?
Minha amiga foi assaltada em frente à escola por um FDP de bicicleta. Eram 14h. Ela dentro do carro, a amiga ao lado e o demônio com uma arma apontada para elas. Eu passei, à pé, ao lado da cena. Achei estranho mas não notei a real intensidade da situação. Dessa vez foi só um celular. Mas eu já vivi isso. Sei a sensação de impotência, a nítida impressão de estar sendo violentada e de não poder mover nem um dedo, porque é o fruto do seu suor em favor de sua vida.
Eu me sinto inútil em meio a isso tudo. Embora vontade de fazer alguma coisa não me falte. Mas o que? Começar por onde?! Nem quem tem o que fazer não sabe por onde começar... Só me resta esperar que Deus tenha outros planos para mim e para meus amigos e família que não seja morrer por uma banalidade da mente deturpada do ser humano.
Hoje, me sinto mais cansada que revoltada. Não tenho forças nem para esmurrar a parede... gastei minhas energias me remoendo por não ter feito nada quando minha amiga estava sendo abordada.
Eu queria fugir disso tudo, mas me parece muito egoísmo. Afinal, não poderei levar todos comigo e um deles ficará no meio dessa guerra. Marcelo D2 que me desculpe, mas ter o desejo de matar do Capitão Nascimento é, hoje, consequência natural de um mecanismo de defesa.
Talita,
ResponderExcluirA violência realmente é assustadora e revoltante. Assustadora porque você vê sua vida por um fio, um pequeno vacilo, cara amiga, e o mundo explode. Revoltante porque a gente trabalha tanto e alguém vem e tira algo da gente, que não custou apenas dinheiro, mas também dedicação, renúncia, e mais um monte de coisas.
“Quanto vale a vida, nessa terra de gigantes?”
Vivemos em uma sociedade medíocre que nos alimenta com o medo e a reclusão. Ninguém faz nada pra mudar as coisas, estão ferrando com nosso tempo de liberdade, hoje em dia bater as asas pode ser perigoso, corremos o risco de voltar pra casa rastejando.
“Os assassinos estão livres, nós não estamos”.
Acho que a solução seria mesmo desaparecer, evaporar que nem água, e não voltar a cair. Entrar em um universo paralelo mais justo e seguro, mais livre e alegre (de preferência com o mar da Grécia, golfinhos e tartarugas marinhas).
“Vou-me embora pra Passargada, lá sou amigo do rei”.
Quanto ao ocorrido, naquele assalto, o que uma criança indefesa como você poderia fazer em uma situação covarde como aquela?
“Cortaram meus braços / Cortaram minhas mãos / Cortaram minhas pernas / Num dia de verão”.
Mas sabe o que percebi? Lendo seu texto e relembrando a cena, mesmo sem saber, você deu um chega pra lá no meliante com sua aparição imponente e deslumbrante na cena do crime, (Rsrsrsr), foi o máximo, e no final, estamos vivas ainda.
“Não se esqueça, temos sorte, chegou a hora e agora é aqui”
Grande abraço pra tí.
Força Sempre!